Cotidiano & Trabalho
 Conhecer e comunicar Por Luiz Guilherme Brom *
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Rem tene, verba sequentur. Trata de possuir o conteúdo e as palavras se seguirão; diz o velho preceito latino. Para se falar e escrever bem, é preciso antes conhecer. É a clareza das ideias que leva à inteligibilidade das palavras. Mas outra célebre citação, do filósofo francês Michel de Montaigne, ensina que: “As palavras pertencem metade a quem fala, metade a quem ouve”. Se conhecer é necessário, é preciso também não desconhecer que o que se diz ou o que se escreve será sempre reinterpretado pela outra parte. A comunicação hoje se expande pelo ciberespaço, ganha velocidade, capacidade e qualidade digital. Mas, paradoxalmente, o tempo da comunicação tecnológica é também um tempo de desentendimentos, de incompreensões e de desavenças. Sinal de que velhos e conhecidos problemas das relações humanas resistem bravamente ao novo mundo tecnológico. No choque das interpretações e dos entendimentos antagônicos que ocorrem no terreno da comunicação, lá sobrevivem o egocentrismo, o autoritarismo, o preconceito, o despreparo e a ignorância.
Interação
De um ponto de vista empresarial e profissional o descaso com a comunicação geralmente é fonte de trágicas conseqüências, de enganos catastróficos e de dolorosos equívocos. Costuma-se dizer que vivemos a era do conhecimento, que agrega valor econômico e cria tecnologias. Ora, o conhecimento não é uma produção solitária. Bem ao contrário, é fruto direto das interações humanas e das interações do homem com a realidade. É resultado da ação recíproca entre pessoas. Uma pessoa não avança no conhecimento simplesmente porque o recebe de outras, passivamente, como propunham os empiristas ingleses. E nem o traz do berço, ao nascer, como sugeria o apriorismo cartesiano. A aprendizagem e o conhecimento acontecem pela via das relações entre as pessoas, por meio da troca de experiências e da reciprocidade de interpretações. Se o diálogo entre seres humanos é que gera novos saberes, a comunicação ganha então inédita centralidade na vida contemporânea, que se pretende produtora de conhecimentos.
“A aprendizagem e o conhecimento acontecem pela via das relações entre as pessoas, por meio da troca de experiências” |
Comunique-se
Saber se comunicar é ter habilidade de expressar a sua própria intelectualidade, sua criatividade, seu conhecimento e seu ponto de vista. Ao se comunicar, o ser humano avança no seu conhecimento, faz avançar o conhecimento dos outros e assim enriquece as ações empresariais e profissionais. Mas a comunicação no âmbito das organizações, assim como em qualquer outro lugar, implica também na capacidade de oferecer voz e vez ao outro. Na sabedoria de falar e ouvir, de expor suas opiniões e de ser receptivo às opiniões alheias. A comunicação unilateral é típica de quem menospreza o interlocutor, de quem é arrogante. A arrogância é uma espécie de surdez, que faz perder a noção da realidade, caminho fácil para as decisões empresariais desastrosas. Quem analisa com cuidado as mensagens que lhe são dirigidas, ao contrário, aprimora suas próprias percepções da realidade e assim reduz a chance de erros e eq'uívocos. Em suma, o conhecimento produzido numa organização ou mesmo numa dada sociedade é fruto da reflexão coletiva que se viabiliza pela comunicação.
* LUIZ GUILHERME BROM é doutor em Ciências Sociais e superintendente institucional da
FECAP (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado) luizgbrom@fecap.br
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