COTIDIANO & TRABALHO
 Valor abstrato Por Luiz Guilherme Brom *
Em 1973, Daniel Bell lança um livro que se tornaria referência no debate acadêmico das décadas seguintes: The Coming of Post Industrial Society. Bell, professor emérito da Universidade de Harvard (EUA), aponta em sua obra o declínio dos valores da sociedade industrial e a ascensão de um novo tempo, que seria dominado pelo conhecimento e seus derivados, como a informática e a tecnologia em geral. De fato, o futuro preconizado por Bell se precipitou com espantosa rapidez.
"A valorização do trabalho, das empresas e dos produtos é agora dada pelos atributos abstratos, que superam em importância os ativos físicos"
O capitalismo industrial amarga profunda crise a partir da década de 1970 e nas duas décadas seguintes a economia mundial muda radicalmente seu figurino. A prestação de serviços, a tecnologia digital, a globalização, a comunicação e a informação são agora os expoentes da nova era.
O trabalho físico e a força bruta - tão importantes no auge da industrialização - são agora menosprezados, perdendo centralidade para a inteligência, o conhecimento e as habilidades intelectuais de forma geral.
Já com o processo de mudança consolidado ao final do século XX, Jeremy Rifkin, professor da Wharton Business School, constata em seu livro A era do acesso que o peso físico das exportações norte-americanas ao longo do da década de 1990 caiu pela metade, enquanto o valor em dólares dobrou.
É a exportação, que é fruto da nova economia sem peso. A valorização do trabalho, das empresas e dos produtos é agora dada pelos atributos abstratos, que superam em importância os ativos físicos.
Tecnologia, comunicação, informação, criação, inovação, design, atendimento, relacionamento, qualidade, pontualidade, disponibilidade, sustentabilidade, diversidade, conforto, lazer, cultura e entretenimento são apenas alguns dos ativos merecedores de grande destaque na nova paisagem econômica. Todos ativos abstratos, intangíveis e impalpáveis.
A velha economia poluente, de fábricas e máquinas pesadas, movida pela força bruta e desprovida de beleza, não mais protagoniza a atividade econômica. Mudança Mas os novos tempos requerem novas habilidades e outros modos de pensar. O império da indústria por duzentos anos condicionou profundamente a forma de olhar, conceber e gerenciar produtos, empresas e profissões.
Abordagens absolutamente inapropriadas para se lidar com ativos abstratos. Manoel Müller, diretor da Associação Brasileira de Design (ABEDESIGN), salienta a importância da busca sistemática pela inovação, criatividade e expansão intelectual. A empresa vale pela sua inteligência. Assim, a nova economia parece finalmente valorizar no homem o que há de mais humano, que é a sua capacidade de pensar, conhecer e criar.
* Luiz Guilherme Brom é doutor em Ciências Sociais e superintendente institucional da FECAP (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado). luizgbrom@fecap.br
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