 Invista no futuro
Mesmo com a crise financeira, setor de franquias fatura
R$ 55 bilhões e se consolida como ótima maneira de começar
no mundo dos negócios Por Ivo Madoglio
A crise financeira mundial assustou todos os setores no segundo semestre do ano passado. Afinal, a expectativas dos economistas apontavam para longos períodos sem consumo e investimentos por parte das grandes empresas. Entretanto, o setor de franquias surpreendeu o mercado nacional, crescendo mais do que o esperado.
Só em 2008, o faturamento atingiu a casa dos R$ 55 bilhões, 19,5% a mais do que em 2007, provando ser uma ótima oportunidade para aqueles que querem investir em algo maduro e capitalizado, não apenas no Brasil, como no exterior. Os números foram mais do que animadores, já que a previsão da Associação Brasileira de Franchising (ABF) era de um crescimento de 17% para o período.
No ano passado, 200 novas empresas incorporaram o modelo de franquias como forma de estratégia para crescer. A medida colaborou com a elevação do faturamento do setor e das unidades franqueadas, que chegam a 72 mil. No total, são 1,3 mil redes de franquias responsáveis por 648 mil postos de trabalho diretos e 2,5 milhões indiretos.
Em 2009, os números continuam animadores. Até o momento, a ABF estima um crescimento de aproximadamente 13%, considerando os fatores que a crise ainda pode acarretar. Atualmente, o Brasil é visto como referência no franchising mundial, ocupando a 4ª posição no ranking. Nosso País, ainda está no comando do World Franchising Council, principal órgão internacional do setor.
No mercado nacional, os segmentos que mais sofreram com a crise foram o automobilístico, o financeiro e o da construção civil, não representando nenhum impacto ao setor de franchising.
Além disso, o acesso das classes C e D ao consumo e o aumento dos níveis salariais e da taxa de emprego verificados até outubro foram fatores determinantes para a elevação dos números no setor, causando um impacto otimista e positivo aos atuais e futuros investidores. De acordo com os dados da entidade, toda vez que o mercado sofre com demissões, o setor de franquias recebe novos interessados. Afinal, no momento em que os profissionais ficam desempregados, a maioria opta pela solução do negócio próprio. Desde dezembro até o último levantamento da Associação, as redes de franquias registraram um aumento médio de 25% no número geral de interessados em abrir uma franquia.
Outro fator animador para 2009 é que os pontos comerciais tiveram queda em seus valores. Ponto altamente favorável para expansão das redes, já que, em muitos casos, o futuro franqueador não consegue viabilizar o sonho do negócio próprio por conta do local comercial que, na maioria das vezes, é o investimento mais significativo. Para a fundadora da rede de clínicas de estética Onodera, Edna Onodera, o franchising proporciona um meio de crescer com segurança e sem abrir mão da qualidade já oferecida pela empresa. “Fechamos o ano de 2008 com um crescimento de 31% em nosso faturamento, em comparação com 2007 e vamos crescer ainda mais este ano”, comemora a empresária.
Segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em um período de cinco anos, de cada 10 novas empresas que surgem, oito fecham as portas. No setor de franquias esse número cai para menos de duas.
Você é o chefe
Um dos maiores sonhos de muitos profissionais é o de se tornar o comandante do barco, ou seja, o chefe. Mas se engana quem pensa que a tarefa é tão simples quanto se pensa. Afinal, tudo deve ser previamente estudado para que os resultados agradem o futuro empresário e o retorno do dinheiro seja garantido.
Com tantas possibilidades, a melhor opção é o franchising, pois, além do know-how da rede escolhida, você ainda tem a oportunidade de acompanhar os desempenhos anteriores da empresa e ver os pontos fortes ou fracos do segmento que escolheu. Segundo a diretora da clínica estética Onodera, Lucy Onodera, a rede realiza um período de “test drive” exatamente para que todos os candidatos possam, antes do ingresso definitivo, tomar contato com a rotina de uma unidade. “Depois de ser aprovado nas etapas anteriores, o interessado passa por um estágio de uma semana em uma das unidades próprias da rede. O objetivo é mostrar ao empreendedor se ele está habilitado a assumir o negócio e se realmente se interessa pelo segmento”, conta a diretora.
Ela ainda acrescenta que, em média, um em cada dez candidatos mostra a aptidão necessária para o negócio. Ao contrário dos métodos convencionais, o “test drive” contempla situações como atendimento ao cliente, gestão financeira, contato com fornecedores e administração de pessoal.
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Lucy Onodera, da Onodera: a rede realiza um período de “test drive” para que candidatos possam tomar contato com a rotina de uma unidade |
Já a diretora de expansão do Grupo Úmbria (responsável pelas marcas: Spoleto, Koni Store e Domino´s Pizza no Brasil), Renata Rouchou, afirma que o ramo da alimentação é um dos mais rentáveis e seguros. “Damos todo o suporte necessário para o ingresso em uma de nossas redes. No caso do Spoleto, por exemplo, o interessado precisa preencher o formulário no site, participar de reunião no escritório, ter o perfil de franqueado aprovado e encontrarmos o ponto ideal para a franquia”, explica Renata.
A executiva também ressalta que a franqueadora normalmente é quem busca, avalia e negocia o ponto comercial. “A experiência ajuda muito não só na avaliação do local, projeção de faturamento, ponto de equilíbrio, como para negociar com os empreendedores os melhores valores que viabilizam o negócio Spoleto”, diz.
Vale lembrar que o capital de giro é fundamental para garantir a tranqüilidade das contas a pagar e a receber da loja franqueada. O fluxo de pagamentos e a parte administrativa da loja não podem prejudicar a operação diária de uma franquia, onde o prazo de retorno do investimento fica em média entre 24 e 36 meses.
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