 Antes cortar que desfalcar
Terceirização de gestão de benefícios e filosofias alternativas são formatos utilizados pelas empresas para reduzir custos
Os vários setores da economia têm experimentado uma forte retração em seus resultados, principalmente por conta da crise financeira internacional. A indústria, por exemplo, teve o pior mês de fevereiro dos últimos seis anos. De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o emprego no segmento teve uma queda de 1,5% em comparação com o mesmo mês de 2008.
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| Celso de Paula, da Direct Engenharia em Gestão de Seguros e Benefícios: olhar externo mostra diferentes soluções para empresas que desejam diminuir custos, mas não têm experiência na implementação de processos |
Diante deste quadro, demissões parecem, em um primeiro momento, a “tábua de salvação” para as empresas que precisam cortar custos. Porém, existem outras medidas que podem ser igualmente eficazes e evitam a perda de capital humano. Há algum tempo, uma das escolhas das organizações é a terceirização de ferramentas de tecnologia, a exemplo da transferência da estrutura de TI para um datacenter. Um recurso muito utilizado também é o incentivo à economia de papel, telefone, energia elétrica, água, entre outros.
No entanto, não é preciso ir muito longe para perceber que o caminho para a eliminação de despesas pode estar em coisas simples, como a gestão de benefícios dos colaboradores, como convênio médico e vale-transporte. Antes de decidir pelo desligamento de funcionários, os responsáveis pela área de recursos humanos devem, em primeiro lugar, rever políticas de benefícios, já que, otimizar tal recurso pode trazer mais clareza para a avaliação dos orçamentos. Esta é a análise do sócio da Direct Engenharia em Gestão de Seguros e Benefícios, consultoria especializada na Gestão de Benefícios para área de Recursos Humanos, Celso de Paula.
Para ele, um olhar externo sempre proporciona diferentes soluções, já que alguns gestores conhecem os modelos, mas não têm uma diretriz para implementá-los. Os benefícios deste pensamento é a diminuição de custos da ordem de 10 a 30%, depende da situação de cada empresa. “Além da redução direta na fatura dos benefícios, os serviços de gestão economizam horas trabalhadas dos funcionários de recursos humanos”, diz. Ele explica ainda que a Direct pode reverter, em média, R$ 5 mensais por beneficiários para a redução dos custos operacionais de RH.
Todavia, para que isso aconteça, a consultoria realiza uma análise de mercado para estudar as melhores ofertas de serviços desta ordem em relação ao custo-benefício. Posteriormente, apresenta uma proposta com as alterações possíveis, viáveis e necessárias para cada cliente e, por último, realiza o plano de ação e a implantação da nova política de benefícios. “Assumimos toda a gestão gerencial e operacional dos processos enquanto perdurar o contrato”, garante.
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Alerta vermelho
A especialista em planejamento estratégico, consultora e professora de pós-graduação em cursos de administração, Sanmya Tajra, acredita que a estratégia de redução de custos deve prever um plano global para a empresa e não somente uma área em separado. Para ela, é preciso desencadear várias ações simultâneas em todas os departamentos.
Sanmya avalia que o foco nestes casos deva ser a constituição de um conjunto de indicadores de desempenho que analisem além do aspecto financeiro, mas sim o desempenho global de cada organização, envolvendo mercado, clientes, processos e funcionários.
Outro alerta dado pela consultora é o fato das companhias ficarem focadas somente na redução de custos e, como conseqüência, sofrerem uma queda brusca no controle de qualidade. “Os empresários que se preocupam em demasia com o corte de gastos perdem esforços na busca de alternativas para aumento de receita e participação no mercado. O consumidor não está disposto a pagar pelos erros e exageros das empresas”, sentencia. |
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