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Compromisso e reciprocidade no trabalho


Por Luiz Guilherme Brom

Conquistar o engajamento de funcionários para as causas da empresa é um desafio que se apresenta desde o início do século XX. Naquela época, os pioneiros da teoria da administração, tais como Frederic Taylor e Henri Fayol, já não tinham dúvidas quanto à importância do convencimento dos trabalhadores para o sucesso gerencial da empresa. Henry Ford, empresário americano da mesma época, foi um dos primeiros a repassar ganhos de produtividade para os salários, com esperança de maior adesão às metas empresariais. Acreditava no tripé produtividade-salário- consumo como mola propulsora da prosperidade econômica.

No auge do capitalismo industrial, período que se inicia após a Segunda Guerra e que se tornou conhecido como "trinta anos dourados", a mentalidade fordista e a teoria keynnesianista elegeram o emprego e o salário como elementos fundamentais ao desenvolvimento. Era o discurso do capitalismo virtuoso, que prometia ganhos para todos - empresários e trabalhadores - que nele apostassem.

Desde a década de 1970, entretanto, o entendimento acerca da importância do emprego para a consecução das metas empresariais começa a mudar gradativamente. Pressionadas pela forte crise econômica que se instala no último quartil do século XX, as empresas redesenham-se e adotam um figurino mais leve e ágil. Eliminam custos salariais, terceirizam atividades, contratam e subcontratam serviços e trabalhos que antes eram realizados por empregados formais. Some-se a isso a informatização crescente das atividades gerenciais que viabilizou um brutal enxugamento dos cargos administrativos.

"As empresas de hoje necessitam de cabeças pensantes, inovadoras, que agreguem inteligência aos seus negócios e que trabalhem por resultados"

O emprego perde a estabilidade e o desemprego em massa explode nas antigas regiões industriais tradicionais. O antigo compromisso de estabilidade e ascensão de carreira em troca de apoio às finalidades empresariais cede espaço a uma relação de desconfiança mútua entre empresários e funcionários. De um lado, o receio de que empregados não valem o custam. De outro, a suspeita de exploração premiada com demissão.

Com a crise financeira de 2008, ainda em plena efervescência, uma nova rodada de grandes cortes salariais chega para abalar ainda mais a já combalida relação entre empregados e empregadores.

A restauração da confiança nessa relação é, no entanto, decisiva para o enfrentamento da própria crise. Naturalmente que as necessidades empresariais de hoje diferem muito das necessidades de meio século atrás. As empresas de hoje necessitam de cabeças pensantes, inovadoras, que agreguem inteligência aos seus negócios e que trabalhem por resultados.

De profissionais que compreendam que o emprego paternalista acabou e que a sua permanência na empresa tem relação direta com o sucesso dela. Por outro lado, para atrair profissionais com esse perfil a empresa precisa estabelecer uma relação pautada pela franqueza, mostrando as reais perspectivas de curto e longo prazo, bem como seus compromissos sinceros com quem aderir a seus projetos. Depois de tantos anos de crises, enxugamentos e demissões em larga escala, mentiras e promessas vazias são facilmente desmascaradas.

 

 
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