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Oportunidade

Crie seu próprio emprego


O que um profissional deve ter para garantir trabalho e renda durante o ano todo e não ficar refém do mercado


por Sheyla Pereira

Já se foi o tempo em que o desemprego era sinônimo absoluto de desespero, pelo menos para um perfil de profissional: o chamado "talento empreendedor", aquele que dificilmente estará fora do mercado pelo fato dele mesmo criar o próprio campo de trabalho.

A temida frase "infelizmente não vamos precisar mais de seus serviços" pode ser um trampolim para a descoberta de um nicho ou talento até então desconhecido ou mesmo aquele sonhado trabalho que, por acomodação ou qualquer outro motivo, nunca foi vislumbrado. Para isso, é preciso ter a habilidade de enxergar oportunidades onde outras pessoas vêem crises.

Contudo, a velha história de que somente os que ocupam cargos-chave na organização têm a obrigação de descobrir necessidades e atendêlas deixou de valer há tempos. Hoje em dia, a máxima vale para qualquer pessoa, em qualquer cargo. Mesmo na condição de empregado, tornar o cargo um verdadeiro "negócio" e não apenas desempenhar o rol de atividades atribuídas e esperar o salário no final do mês, é o caminho do sucesso.

Ou seja, nunca esteve tão em voga a máxima que diz que o bom profissional sempre terá o mercado, não importa qual, atrás dele e não o contrário. É o que diz o CEO das empresas Knowtec e Talk Interactive, especializada em comunicação digital, que atua na área de inteligência competitiva, e co-autor do livro "Viagem ao Mundo do Empreendedorismo", Luiz Alberto Ferla.

Luiz Alberto Ferla, da Talk Interactive e da Knowtec: Mais do que desempenhar rol de atividades atribuídas, o empregado tem de transformar o cargo em um verdadeiro negócio

As pessoas mais atentas e sintonizadas com a "economia do conhecimento", segundo Ferla, já perceberam que a obsolescência de conhecimentos é um fenômeno assustador e que a velocidade das mudanças, as constantes inovações, o acesso às tecnologias e exigências de mercado, para o bem e para o mal, exigem do profissional atual uma cabeça mais aberta em relação a novas possibilidades.

Portanto, os que acompanham as mudanças terão forçosamente de descobrir caminhos diferentes, mesmo que estes estejam fora da área de formação. São as chamadas novas frentes de trabalho, que fazem, por exemplo, um jornalista virar fotógrafo ou webdesigner, um engenheiro virar consultor ou um empresário virar articulista. Os que preferem o conhecido, o tradicional, podem descobrir que o conforto é só aparente.

Atualmente, diferente do que acontecia há pouco tempo, um aluno deixa a faculdade e já não tem a certeza de que atuará nesta ou naquela atividade só porque ela é condizente com sua formação. Ferla exemplifica o assunto: "Alguém já ouviu falar em 'arquiteto de informação'? Pois é, há demanda por esse profissional. É uma necessidade a ser atendida. Qual deve ser a formação acadêmica desta pessoa?", questiona.

A resposta é que este profissional precisará reunir muitas competências obtidas em várias disciplinas obtidas na formação acadêmica, por isso, ele é dono da "expertise", é um especialista. Paralelamente, ele desenvolveu muitas outras habilidades "comercializáveis" no mercado, além de reunir algumas experiências significativas obtidas como estagiário ou empregado temporário, às quais se submeteu estrategicamente para aprender.

Polivalência

Portanto, como explicou Ferla, não há nada de estranho no ato de largar a carreira de origem e se dedicar a outra atividade ou até mesmo conciliar duas funções ao mesmo tempo. Mas quais serão os setores ou áreas de negócios que permitem com que este profissional consiga atuar em duas ou mais atividades? O executivo acredita que praticamente não haja limitações se a pessoa tiver competência, discernimento, curiosidade, capacidade de aprender sempre e energia suficientes para lançar-se em novas frentes ou reconfigurar as atividades que até então desenvolvia.

A empresária Juliana Cristina Bruns Gabriel, há três anos formada em fonoaudiologia, resolveu que não ficaria presa à sua área de atuação. Apesar de ter investido cerca de R$ 25 mil nos estudos e da experiência que conquistou ao passar pela Santa Casa de Misericórdia de Maringá, no Paraná, onde atuava na área da fonoaudiologia hospitalar, e pelas APAEs de Araruna e Mandaguari, no mesmo Estado, se uniu ao marido, André Gabriel, advogado de formação, para montar, no ano passado, uma franquia da Casa das Cuecas U/W, no ParkShopping Barigüi, em Curitiba. O jovem casal, com menos de 30 anos, pesquisou muito antes de decidir onde iria investir o valor aplicado na Bolsa de Valores, além de fazer cursos do Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Concomitantemente a isso, Juliana se desdobra para exercer a atividade de formação em casa.

As dificuldades encontradas na área da saúde no País, além da baixa remuneração, foram fatores que pesaram na hora de Juliana optar por atuar em dois nichos tão diferentes, já que recebe como proprietária da loja, em média, um valor 60% acima do que recebe como fonoaudióloga. "A fonoaudiologia ainda está 'engatinhando' no sentido de conscientizar as pessoas que necessitam de tratamento. Os baixos salários também contribuem para que o profissional procure outros meios para a obtenção de recursos", diz.

O esforço necessário para encarar a jornada de mais de 10 horas diárias de trabalho pode ser atribuído, segundo Juliana, ao seu dinamismo e ao interesse que sempre teve pelo setor de administração de empresas. Ela garante que consegue conciliar bem as duas agendas, através da organização do tempo, não deixando que as duas profissões se misturem. Parte da manhã é reservada, duas vezes por semana, para atender seus pacientes. Já na loja, costuma chegar às 14h30 e só sai de lá depois das 20h30. Como se vê, uma intensa jornada.

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