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Oportunidade

Crie seu próprio emprego


O que um profissional deve ter para garantir trabalho e renda durante o ano todo e não ficar refém do mercado


por Sheyla Pereira

Foco em resultados

Ficar em evidência em um mercado tão competitivo significa empregar os talentos com o foco em resultados. Ganhar dinheiro é apenas uma conseqüência da soma de oportunidades aproveitadas com competência. Ou seja, o profissional tem de dar conta do recado e, se possível, superar as expectativas de todos stakeholder (todas as partes interessadas), indica o diretor da UP Treinamentos & Consultoria, coach e conferencista em desenvolvimento humano, Carlos Cruz. Ele diz que as oportunidades não estão por toda parte, apenas nos olhos de quem as vê. "Sugiro apresentar as realizações com evidências e clareza para superiores, clientes em potencial e parceiros, colocando-se à disposição para assumir novas tarefas e desafios", aconselha.

Juliana Cristina Bruns Gabriel e André Gabriel: Ela fonoaudióloga e ele, advogado. Mesmo assim, o casal concilia respectivas profissões com negócio próprio

O coach explica que existem duas formas dos profissionais abrirem novas frentes de trabalho: por oportunidade ou por necessidade. "O pulo do gato está na capacidade de aprendizagem e de atingir metas", diz Cruz. Foi por necessidade que o administrador de empresas, com especialização em Comércio Exterior, Claudiné Capoville, com experiência de 25 anos em organizações como Volkswagen do Brasil, Phillips do Brasil, Tropic Trade Consultants, Bioagri, entre outras, além de ter administrado, por 20 anos, sua própria empresa, a Artmetal Ind. de Móveis de Ferro, deu uma guinada em sua carreira há quatro anos. Depois de passar por problemas pessoais, ter de vender a empresa e passar uma temporada no interior de São Paulo, voltou à capital em busca de mercados em ascensão onde pudesse atuar, não importava qual área fosse. Com o "boom" imobiliário verificado nos últimos tempos, ele visualizou uma oportunidade no setor de corretagem de imóveis e partiu com tudo em busca do objetivo.

Claudiné Capoville, ex-empresário e corretor de imóveis: Rotina independente, liberdade de ação e melhor salário fazem da corretagee corretagem uma ótima frente de trabalho

A transição ocorreu de forma rápida. Assim que tomou a decisão, procurou alguns contatos antigos, se informou sobre cursos e fez o preparatório Técnico de Transações Imobiliárias (TTI). Posteriormente, realizou um estágio orientado por uma imobiliária e tirou a carteira do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (CRECI), registro que legaliza a atividade de corretor. A partir daí, começou a trabalhar em imobiliárias na área de lançamentos (imóveis vendidos ainda na planta) e de terceiros (setor responsável pela comercialização de imóveis semi-novos). Neste tempo, já atuou em empresas como Fernandez Mera Negócios Imobiliários, Uniplan Imobiliária, CR Consultoria de Imóveis, USE Consultoria de Imóveis e, atualmente, FGi Negócios Imobiliários.

Carlos Cruz, da UP Treinamentos & Consultoria: Ganhar dinheiro é apenas uma conseqüência da soma de oportunidades aproveitadas com competência e não deve ser colocado na frente das escolhas de carreira

O dinheiro investido pelo corretor para se preparar, cerca de R$ 1,2 mil parcelados em quatro vezes, foi rapidamente recuperado. "Como empresário, minha renda era oscilante. Supondo que eu ganhasse R$ 5 mil por mês, se comparar com a minha renda atual, ganho muito mais hoje. Não tenho limite, depende exclusivamente de mim e do meu empenho", afirma.

Capoville diz que muito do que desempenha hoje aprendeu na antiga profissão. Como administrador de empresas, ele gosta muito de controles, organização, métodos e política focada em resultados. Porém, considera que cuidar da área financeira e de funcionários de uma empresa é muito estressante.

Já como corretor, tem mais liberdade para desempenhar suas tarefas. Ele trabalha no dia e horário que quiser, faz sua rotina e seu salário. "Sou autônomo, ou seja, dono do meu próprio negócio, onde gerencio o meu tempo, clientes e ganhos. É claro que quanto mais dinheiro, melhor. Então, eu trabalho mais, porém administro meu tempo livre para tratar outras pendências também", comemora.

Para os que consideram a profissão de corretor como "fim de carreira" ou válida para quem não têm mais opção, ledo engano. Esse é um ramo estimulante e rentável, que requer esforço, dedicação, lealdade e pró-atividade.

Cultura, dinamismo, bom senso, educação e cooperativismo também são requisitos desejáveis. É o que garante Capoville. "Quem não tem tais características, está eliminado automaticamente do mercado. Para mim, a corretagem é uma excelente frente de trabalho", considera.

De pára-quedas

A alma de empreendedor imprescindível para quem deseja estar em evidência o tempo todo, citado por Ferla, da Talk Interactive e da Knowtec, não escolhe área de atuação ou tipo de relação de trabalho. Ela tanto pode estar enraizada em empresários de fato, como em jornalistas, engenheiros, médicos, domésticas, padres, mecânicos, professores, analistas, vendedores ou qualquer outra profissão.

Eduardo Ferraz, consultor em gestão de pessoas: Mudar de profissão no meio do caminho não significa ter de começar do zero, muitas vezes a transição é natural

Quem tiver este perfil, não demora a se destacar, ganhar respeito, visibilidade e a ser disputado pela empresa onde trabalha, pelas concorrentes, fornecedores, clientes, ou até mesmo descobrir um novo talento. Pessoas assim não precisam de muito marketing pessoal. Segundo especialistas, mais que "empregabilidade", conquistam "empresabilidade", que é a capacidade de criar oportunidades para si mesmo e aproveitá-las.

Essas são as chamadas mudanças de oportunidade. De engenheiro agrônomo a consultor na área de gestão de pessoas. Logo que se formou, em 1983, Eduardo Ferraz começou a perceber que seu talento principal era treinar e aconselhar funcionários. Não que ele não pudesse fazer isso como engenheiro, mas percebeu que realizava um trabalho muito mais assertivo como administrador de carreiras do que na área que se formou, que é mais técnica. Nos primeiros sete anos, conciliou as duas carreiras, mas o lado consultor falou mais alto.

A entrada de Ferraz na área de recursos humanos foi gradativa, mas constante. Quando morava em Passo Fundo, Rio Grande do Sul, e ainda como engenheiro, começou a ser convidado para dar treinamentos e palestras sobre vendas, gestão de pessoas e negociação em empresas regionais e familiares e, posteriormente, em representações locais da Sadia, Volkswagen, Fiat, Nestlé, Bayer, Rhodia, Yopa, Dellanno, Telesul, entre outras. Estas companhias indicavam Ferraz para outras unidades e, quando percebeu, estava trabalhando no Brasil inteiro e, em 70% dos casos, fora do agronegócio.

Para facilitar seus deslocamentos pelo Brasil e aprofundar seus estudos no segmento, ele resolveu, em 1994, mudar- se para Curitiba. "Não fui eu que escolhi outra carreira, eu nunca parei para analisar 'não quero mais ser agrônomo e sim consultor', foi um processo natural de evolução e de talento que falou mais alto", lembra. Em 1998, fez uma pós-graduação em Direção de Empresas pela PUC do Paraná e, para trabalhar melhor com grupos, se formou em especialista em dinâmica de grupos pela Sociedade Brasileira de Dinâmica de Grupos (SBDG).

Ao mesmo tempo, na década de 1990, Ferraz se apaixonou pelas Neurociências e o Behaviorismo econômico, pela importância da psicologia na tomada de decisões, e se tornou um leitor assíduo de tudo relacionado ao tema, o que fez dele um autodidata neste assunto. "Desde então, em 100% das consultorias, treinamentos e palestras uso os conceitos relacionados à neuropsicologia", relata.

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